quarta-feira, 13 de maio de 2009

Igualdade apenas entre iguais

Esse texto foi criado por Sandro Luis Fernandes.
Na última semana me senti espectador de uma história como Crash ou Babel do diretor mexicano Iñárritu: com muitas ligações entre personagens distantes.
Dei aula para alguns Yared, conheço (de vista) o pai do deputado Fernando Ribas Carli Filho (prefeito de Guarapuava), também lecionei para a filha do advogado do caso (Assad).
Diante desta Babel contemporânea de acidentes que nos ligam, lembrei de alguns casos:

  • Filho de meu ex-chefe no Banco do Brasil em Guarapuava (Lins) e do caso do irmão de um ex-aluno (Zanella) ambos assassinados pela polícia;
  • Lembrei também do caso da Ana Caron (ex-aluna) e do filho do jornalista Vinícius Coelho – ambos assassinados violentamente e investigados rapidamente – não sei como estão os casos;
  • Há um caso mal explicado, do sobrinho do governador Requião, que na esquina dos fundos do Teatro Guairá, estava envolvido num acidente que houve morte.
    Em comum nestes casos é o fato de terem ocorrido em Curitiba além de envolveram interesses da classe média. Os dois primeiros julgamentos longos... E punições leves. Os assassinatos da Ana e do filho do jornalista com autores rapidamente detidos. E o último: silenciado.
    Voltando ao caso do deputado guarapuavano (meu conterrâneo), penso que a justiça foi encaminhada, não sei se realmente será feita, mas... Como se trata de vítimas com representação social significativa, inclusive com espaço na mídia (saiu no JN), penso que o deputado terá pelo menos conseqüências políticas (se sair sem seqüelas das intervenções cirúrgicas) provavelmente não será mais eleito (nossa memória emotiva é maior que a política). Mesmo que nos primeiros dias pouco tenha se divulgado em Guarapuava sobre o ocorrido, e o comentário nacional tenha saído apenas cinco dias após o acidente – após o deputado ter sido transferido à São Paulo.
    Lutas da classe média contra o poder estabelecido, seja político ou policial, conquistam direitos, infelizmente estes direitos demoram à chegar as classes mais baixas, mas já é um caminho.
    A opressão política, policial, jurídica e de classe ainda são visíveis no Brasil... Ou vocês acham que se fosse o atropelamento de um carrinheiro ou de um flanelinha teria toda a repercussão????

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