quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em um salto


Rosangela  Gonçalves de Oliveira
Sem saber que podia preparou-se para o salto, olhou em volta, o céu estava com aquele vermelho alaranjado misturado com um azul tão clarinho quase se podia enxergar deus.
Olhava para baixo e via pessoas e carro todos bem pequenos, meio pretos, meio cinza, dava um lindo contraste de tamanho e poder. Lembrou-se daquela praga de cupim que deu em sua casa. Como podia seres tão pequenos e insignificantes fazer tanto estrago. Aquela comparação lhe pareceu mais adequada para definir os homens “cupins”, esfomiados e descontrolados, devorando tudo que passa ao seu caminho.
Mais hoje não era dia de analisar a humanidade, e de mais a mais, muitos já fizeram isto muito melhor, e o que é pior há muito tempo.
Queria voar, só isto, sentir a brisa no rosto, o sol aquecendo suas costas, bem de leve como um carinho de uma mão quente. Aquele abraço que seu pai lhe dava quando estava ao lado. Agora que ele já morreu fecha os olhos e puxa pela memória.
Lá no horizonte consegue vislumbrar a silhueta das araucárias, muito elegantes e bem penteadas, assim é como as imagina. Seus troncos roliços e longos como mastros de bandeira, e sua copa bem desenhada, uns pra lá, uns pra cá. Parece engraçado visto desta forma.
Bem agora esta na hora senão fica muito tarde e dai vai esfriar, e com frio não deve ser legal voar.
Um dois três...
Impulsiona seu corpo e o lancha em direção do céu tudo que imaginara torna-se real, sentido, preceptivo, intuitivo, e mais um montão bem grande de “ivo”. Plaina com suas asas grandes e coloridas, feitas de um material bem caseiro, que confeccionou no quintal da casa. Mas, funciona, e os minutos são horas de puro prazer. Esta acima do bem e do mal, livre dos poderes de homens e até da física, química, matemática.
Seu voo vai perdendo altitude aos poucos tão aos poucos que quase nem percebe quando toca o chão firme coberto de grama verde.

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