Rosangela Gonçalves de Oliveira
Sem saber que podia preparou-se para o
salto, olhou em volta, o céu estava com aquele vermelho alaranjado misturado
com um azul tão clarinho quase se podia enxergar deus.
Olhava
para baixo e via pessoas e carro todos bem pequenos, meio pretos, meio cinza,
dava um lindo contraste de tamanho e poder. Lembrou-se daquela praga de cupim
que deu em sua casa. Como podia seres tão pequenos e insignificantes fazer
tanto estrago. Aquela comparação lhe pareceu mais adequada para definir os
homens “cupins”, esfomiados e descontrolados, devorando tudo que passa ao seu
caminho.
Mais
hoje não era dia de analisar a humanidade, e de mais a mais, muitos já fizeram
isto muito melhor, e o que é pior há muito tempo.
Queria
voar, só isto, sentir a brisa no rosto, o sol aquecendo suas costas, bem de
leve como um carinho de uma mão quente. Aquele abraço que seu pai lhe dava
quando estava ao lado. Agora que ele já morreu fecha os olhos e puxa pela
memória.
Lá
no horizonte consegue vislumbrar a silhueta das araucárias, muito elegantes e
bem penteadas, assim é como as imagina. Seus troncos roliços e longos como
mastros de bandeira, e sua copa bem desenhada, uns pra lá, uns pra cá. Parece engraçado
visto desta forma.
Bem
agora esta na hora senão fica muito tarde e dai vai esfriar, e com frio não
deve ser legal voar.
Um
dois três...
Impulsiona
seu corpo e o lancha em direção do céu tudo que imaginara torna-se real,
sentido, preceptivo, intuitivo, e mais um montão bem grande de “ivo”. Plaina com
suas asas grandes e coloridas, feitas de um material bem caseiro, que
confeccionou no quintal da casa. Mas, funciona, e os minutos são horas de puro
prazer. Esta acima do bem e do mal, livre dos poderes de homens e até da
física, química, matemática.
Seu
voo vai perdendo altitude aos poucos tão aos poucos que quase nem percebe
quando toca o chão firme coberto de grama verde.
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